OBJETOS FELIZES


O designer e ilustrador Willian Gaertner
e a designer de acessórios Elisa Stecca lançam hoje a marca 17. Camisetas, luminárias, bijus, roupas infantis, alomfadas…tudo muito “especial e feliz”, segundo o texto do convite.
Eu vou lá conferir, no final de semana. O ateliê vai estar aberto diariamente (inclusive sábados e domingos) até 20/12, à partir das 11 horas.

Vai lá: rua Camiranga, 72 (é aquela vila na Melo Alves, entre Oscar Freire e Lorena)

MATINÊ FASHION

NoVegas, sábado à tarde, das 16 às 22 horas, rola um bazar beneficente com roupas da Mona (marca da talentosa e querida Thais Mol), da fofita Laundry e outras mais. A trilha sonora fica a cargo da banda Jazz Alley e dos DJs convidados, sempre em ritmo de jazz, be bop e blues. A entrada é gratuita, mas pede-se levar 1 kg de alimento não perecível, para doação.

Vegas: rua Augusta, 765 (www.vegasclub.com.br)

A insustentável perfeição do ser


Bacana o texto do Marcelo Coelho sobre anorexia, publicado hoje na Folha de São Paulo. Ele fala em “padrão de auto-superação, uma espécie de incapacidade de reconhecer os próprios limites”.

Nesses últimos dias, andei pensando sobre o assunto e me veio uma idéia muito clara sobre a sociedade e a doença. Vivemos na era da imagem e as pessoas estão cada vez mais obcecadas com a perfeição. O conteúdo foi esquecido e só o que importa é a aparência. As pessoas buscam um “ideal de elegância incorpórea e inatingível”, como diz Coelho. Todos querem ter corpos limpos, leves, sem peso algum, sem poros nem imperfeições. Em busca da sublimação, esquecemos do que é humano.

No reino das delicadezas


Há algum tempo eu estava querendo falar de comida, sabores, delícias. O lançamento do livro “Papel Manteiga Para Embrulhar Segredos : Cartas Culinárias” me deu o pretexto que faltava.
Trata-se de um romance gastronômico contado através de cartas e receitas. A autora do texto, Cristiane Lisbôa, de 24 anos, não sabe cozinhar mas, em compensação, tempera com sensibilidade e delicadeza a história da moça que fugiu de casa para estudar gastronomia. As receitas ficam a cargo da expert em culinária Tatiana Damberg, do site ( www.mixirica.com.br ). A editora é a Memória Visual, projeto solo de Camila Perlingeiro, cuja família é proprietária da editora Pinakotheke. As lindas fotos da capa e contracapa são da fotógrafa e ilustradora Mariana Newlands ( http://interludio.net/index.php ). Saboreie sem moderação!

LEIA UM TRECHO DE UMA DAS CARTAS:
“Bisa:
Senti vontade de ser menina hoje. Chovia fortíssimo, os ventos varriam limo e lembranças. Se houvesse escolha eu não sairia do meu quarto nem por um momento sequer. Acontece que a Senhorita Virgínia acordou bem doida hoje. Contou histórias da família inteira incluindo segredos bem cabeludos, como uma prima que untava o corpo com salsa fresca para fazer o noivo sentir vontade de voar. Lógica alguma, claro. A senhora exigiria lógica de uma idosa que tem um restaurante no alto de uma montanha com apenas duas mesas?
Em meio aos devaneios dela escutei-a falando da mãe. (…) Ela odiava cozinhar. Dizia que os alimentos deixavam um cheiro estranho nas mãos, que a enjoava por horas. Isso bastava para que não arranjasse casamento, pois, naquele tempo, antes uma cara azeda e disposição para mexer com vigor o cozido, do que uma boniteza sem serventia alguma. Mas em cidade em que o vento assobia, acontecem coisas… “

TPM, sai deste corpo que não te pertence!
O site da chefe de cozinha Rita Lobo ( www.panelinha.com.br) deveria ser considerado de utilidade pública! Além de dar receitas ótimas e dicas incríveis, pode-se imprimir gratuitamente o livro “Culinária para bem estar, receitas anti TPM”. Vou dizer, apenas, que minha vida se divide entre antes e depois desse livro. Até meu marido (bem…principalmente ele) virou fã de carteirinha. Com a consultoria de uma nutricionista, você identifica o tipo da sua TPM e quais são os alimentos mais indicados para não ser tornar uma serial-killer. Já fiz várias receitas e gostei de todas, até agora. Virei (quase) uma pessoa normal durante os 30 dias do mês.

A DESPEDIDA DE ROBERT ALTMAN


A notícia me deixou triste: Robert Altman, um dos maiores cineastas americanos faleceu aos 81 anos, nesta segunda-feira, dia 20, em Los Angeles. No último final de semana, eu tinha ido assitir “A Última Noite”, seu último (e ótimo) filme sobre a era do rádio. E não pude deixar de lembrar das palavras de um personagem, ao comentar a morte de outro. “Não existe tragédia na morte de um velho. Perdoe seus defeitos, agradeça a ele por todo seu amor e carinho”.

Uma matéria sobre o falecimento, veiculada no Jornal da Globo, diz que Atlman se considerava “um homem de muita sorte, e feliz por nunca ter dirigido um filme que não tivesse escolhido fazer”.

Nerds 3, a batalha final

Andei falando da influência “nerd” na moda, mas não tive tempo de incluir alguns dos meus nerds favoritos. A saber:

Olive, a simpática personagem de “Pequena Miss Sunshine”, interpretada pela ótima Abgail Breslin, exibe o figurino incrível. Adoro a mistura de vermelho com rosa claro.

Paul Giamatti, no papel do cartunista Harvey Pekar, o cara mais nerd desde que a tinta e a caneta foram inventados, é outro perdedor maravilhoso.

Aqui você vê Giamatti e a atriz Hope Davis numa cena do filme “Anti-Herói Americano” ou “American Splendor”, na versão original.

Andei pensando na razão do fascínio pelos nerds. Eu, por exemplo, sempre me identifiquei com eles, sempre me senti meio outsider. Mas acho que a questão é bem mais abrangente. Meses atrás, a toda-poderosa Barbara Kennington, diretora do WGSN, fez uma palestra intitulada “A vingança dos nerds”, falando justamente sobre esta tendência, agora concretizada. A premissa era que, num mundo globalizado, em que as informações estão ao alcance de todos (e portanto, banalizadas), só pessoas muito originais, com visões de mundo extremamente particulares são capazes de trazer frescor, surpresa e renovação para a moda.

Concordo com a idéia, mas vejo também uma outra faceta. A força de atração destas figuras desajeitadas, para mim, é o fato de deixaram à vista, ou de não conseguirem esconder, suas vulnerabilidades. E isso é muito comovedor.

Porque quem não se encaixa nos padrões pré-estabelecidos costuma sofrer todo tipo de discriminação. Por outro lado, os nerds podem usufruir de uma liberdade estupenda, ao se libertarem da necessidade de agradar a todos, ao assumirem toda a sua excêntrica originalidade. Como a pequena Olive, de short rosa, botas cowboy, camiseta justa, óculos de grau enormes, se sentindo a rainha Raio-de-Sol.

Resumindo, o mundo das perfeições apolíneas pode ser muuuuito chato. Viva a esquisitice, já que “de perto ninguém é normal”!

Abaixo, outro nerd impagável, o personagem Toby Dadloff, também de “Anti-Herói Americano”.

MAC DIA FELIZ


Peça pelo número!
Já saiu a segunda edição da revista piauí, o número 2 da Rolling Stone brazuca e a ZUPI número 3. Em tempos de anorexia cultural, é nutrição garantida para o seu cérebro, olhos, ouvidos, etc.

Para dar uma “palhinha”, aí vai a capa e o convite da ZUPI e abaixo, um poema publicado na piauí.

A ALEGRIA (Hans Magnus Enzensberger)

ela não quer que eu fale dela
ela não pára no papel
ela não suporta profetas

ela pões abaixo tudo que é sólido
ela não mente
ela se amotina

ela só me justifica
ela é minha razão
ela não me pertence

ela é teimosa
eu a escondo
como uma vergonha

ela é fugaz
niguém pode partilhá-la
ninguém pode guardá-la para si

eu nada guardo
eu partilho tudo com ela
ela parte para outra

um outro a esconderá
na sua fuga vitoriosa
através da mais longa noite.

O silêncio e as palavras


Fiquei impressionada com o filme “A vida secreta das palavras”, dirigido por Isabel Coixet. Um amigo me emprestou uma cópia em dvd porque o filme, exibido na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ainda não foi lançado comercialmente no Brasil.

As imagens são lindas, um clima de poesia e solidão permeia tudo e, ainda por cima, uma das minhas músicas favoritas, “I’m a bird now” do Antony (and the Johnsons), faz parte da trilha sonora. Os protagonistas são Tim Robbins, Sarah Polley e Javier Camara. E Julie Christie faz um papel pequeno, mas importante, no desenrolar da trama.

Segundo a definição da própria autora, “é uma história sobre o peso do passado, sobre o silêncio repentino que se produz antes das tempestades”.

Numa plataforma de petróleo no meio do mar, onde só trabalham homens, acontece um acidente grave. Uma mulher misteriosa e solitária (Sarah Polley), é levada até lá para cuidar de um ferido, temporariamnete cego (Tim Robbins). Depois disso, é claro, nada será como antes.

Se quiser saber mais visite o site http://www.clubcultura.com
Lá tem tudo sobre a diretora, e dá para ver o trailler do filme.
Na época da mostra de cinema, a previsão de estréia no Brasil era novembro. Vamos torcer para que seja, já que faltam só 10 dias para o final do mês.

O poder da franja

Estou para postar este material há um bom tempo. Começou assim: um dia, decidi intervir na natureza do meu cabelo curto e adquirir uma longa franja. Numa bela tarde, parada num farol, veio aquele menino malabarista, fez sua demonstração, se aproximou da janela do carro e me perguntou, na lata: “A senhora é emo?”. Como comecei a rir, ele continuou: “Sabe o que é emo core?”. Eu sei, respondi, mas não sou emo, não. Queria muito ter dado um trocado para ele, mas o farol abriu e fui embora. Estou rindo até hoje.


Brincadeira à parte, eu já tinha notado que, nesta estação, algumas das minhas modelos preferidas estão usando franja: Jessica Miller e Irina Lazareanu (foto ao lado), por exemplo.

E a princesinha Camila Finn, também acaba de adotar a idéia. Veja a foto abaixo, feita por mim, no intervalo do primeiro trabalho em que ela aparece com o novo look: um editorial de moda que será publicado na Marie Claire de dezembro.