Siga aquele link –> Ricardo Hantzschel

Meu link de hoje é sobre o fotolivro Sal do fotógrafo Ricardo Hantzschel, lançado há pouco no Festival de Fotografia de Tiradentes, e ganhador do prêmio Marc Ferrez de Fotografia 2014.

As fotografias, belíssimas, foram captadas por Hantzschel em salinas na Região dos Lagos, no estado do Rio de Janeiro, ao longo de anos. Depois, as imagens foram impressas utilizando uma técnica antiga conhecida como papel salgado.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Assim, o mesmo sal extraído das salinas, que marcou a pele dos trabalhores daquele ambiente hostil, deu vida às imagens impressionantes. Nas palavras de Paula Braga, que assina um dos textos do livro:

Nas paisagens feitas nas salinas de praia Seca e Arraial do Cabo, Hantzschel achou um mundo que também é mais matéria do que imagem, mundo áspero, dos homens de pele ressecada, um real a que teremos cada vez menos acesso, à medida que viraremos digitais, em alta definição e baixa realidade.

E de lá mesmo pegou a saca de sal usado no processo de impressão da imagem no papel pincelado com gelatina e prata. Feitas com o sal que retratam, cada uma dessas fotos tem o tempero do real, pitadas daquilo que representam salpicadas na matéria da qual são feitas.

LINK –>

Saiba mais sobre Ricardo Hantzschel e as fotos do livro Sal, abaixo!

 

Pequena galeria de fotos poéticas

Fotógrafo conhecido na área da moda e da publicidade, Marcio Simnch tem exercido a criatividade também em trabalhos pessoais.

Mixando ampliações fotográficas, polaroids, citações e intervenções gráficas, Marcio contrói colagens poéticas e inspiradoras, que podem ser conferidas no tumblr: small gallery.

As cópias são únicas, e podem ser adquiridas por preços acessíveis (entre R$ 200 e R$ 350) entrando em contato diretamente com ele. Uma ótima oportunidade de ter obras originais em casa, para alegrar os olhos e o espírito!

Clica lá: http://smallgallery.tumblr.com

cliques de mestre

Esta semana, na seção Tesouros Sem Frescura, Liliane Oraggio dirige o olhar para a obra de um grande fotógrafo, mestre em captar a essência das coisas banais. Espia só!

Foto: Walker Evans / 1937

Peguei o metrô para ver a mostra de Walker Evans, que fica no Masp até dia 10. Fui reparando nas pessoas que entravam e saiam dos vagões, no sábado chuvarento. Namorados entrelaçados pelas mãos. Mãe preta e filho dormindo no seio generoso. Olhar perdido no rosto do homem que tinha o susto congelado na cara. Tão bonitos… tão de verdade. Estava sem a câmera, mas fiz mentalmente esses registros das múltiplas formas humanas, tentando fixá-las em pleno trânsito.

Eu sabia que Evans tinha sido um dos mais importantes fotógrafos americanos, que a exposição era composta por 120 imagens feitas nos Estados Unidos, entre 1920 e 1970. Além de usar a câmera para esquadrinhar a geometria das cidades, eu não sabia que a expressão espontânea estava sempre na mira de suas lentes. “As profundezas do metrô são um lugar onírico para qualquer fotógrafo farto dos estúdios”, dizia Evans, anunciando o modo que encontrou para escapar do que era produzido, previsível, ensaiado, registrado em ambientes artificiais, ou seja, de tudo o que se fazia naquela época. Mantendo a mesma qualidade técnica e estética, com um faro antropológico, ele foi clicando as cenas cruas. No metrô de Nova York é inverno. As pessoas estão vestidas, mas os gestos estão nus. Homens, mulheres, crianças são notáveis porque são vivos e são comuns. Essa grande transgressão, que rompeu na década de 30, libertou Evans e seus retratos marcaram a história da fotografia.

Na outra sala, a série de polaróides é outra emoção. Nos anos 70, munido de uma SX-70, Evans quebra a resistência à revelação instantânea e firma com ela um novo pacto com a liberdade. Finalmente, as imagens servem ao real e ao instante, sem distrair o foco do belo meramente contemporâneo.

Fica a inspiração: enxergar o exuberante daquilo que-é-o-que-é, o que combina perfeitamente com as nossas câmeras digitais. Seria Evans uma espécie de bisavô da nossa sede de imagens?

Exposição até 10 de janeiro de 2010, no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1.578 (telefone: 11 – 3251-5644)
Horários: De terças-feiras a domingo e festivos, das 11h às 18h.
Às quintas-feiras, das 11h às 20h. Ingressos: Inteira: R$ 15,00.
Estudantes: R$ 7,00. Gratuito até 10 anos e para maiores de 60 anos.

Por Liliane Oraggio

curtido ao sol

No sábado fui conferir o SP Arte, evento que reuniu cerca de 80 galerias de arte moderna e contemporânea no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. E fiquei fascinada com a exposição “Vaqueiros” do fotógrafo Andreas Heiniger.  No período de 2001 a 2007, Andreas fez cinco viagens ao interior de Pernambuco para retratar estas figuras míticas que se parecem com guerreiros medievais.  O resultado será publicado em livro ainda este ano, pela BEI Editora.

Por enquanto, deleite-se com estas imagens e com o texto de Euclides da Cunha, logo abaixo!

vaqueiro-0011

vaqueiro-002

O gibão, o peitoril, as perneiras e as luvas servem para proteger o cavaleiro dos espinhos das plantas do sertão.  Fotos: Andreas Heiniger

“O seu aspecto recorda, vagamente, à primeira vista, o de um guerreiro antigo exausto de refrega. As vestes são uma armadura. Envolto no gibão de couro curtido, de bode ou de vaqueta; apertado no colete também de couro; calçando as perneiras, de couro curtido ainda, muito justas, cosidas às pernas e subindo até as virilhas, articuladas em joelheiras de sola; e resguardados os pés e as mãos pelas luvas e guarda-pés de pele de veado –é como a forma grosseira de um campeador medieval desgarrado do nosso tempo.” Euclides da Cunha, Os Sertões

Belas e feras

Achei inspirador esse ensaio fotográfico “Betes de Mode”, criado por Thomas Couderc e Clement Vauchez do escritório de criação gráfica HELMO, para as vitrines da Galeries Lafayette, tempos atrás.

helmo1 helmo2

helmo3 helmo4

helmo5 helmo-6

Confira a ficha técnica:
Betes de Mode: trabalho realizado com Thomas Dimetto / fotos dos animais, Christophe Urbain / fotos das pessoas, Laurent Croisier / styling, Romain Vallos / direção de criação, Anne Claire Boulard e Tulip Santene

Mais recentemente, a dupla criou a instalação “Hunting Colors” para a loja de Issey Miyake. Aproveitando que a grife desenvolveu a coleção de primavera-verão 2009 à partir de 8 cores encontradas na floresta amazônica, a HELMO propôs uma série de serigrafias, nos mesmo tons da coleção, em que figuram insetos brilhantes atraídos pela luz de uma lâmpada.

helmo-hunting1

helmo-hunting2

Créditos:
Hunting Colors: instalação realizada por Ivann Legall e Laurent Livet / Serigrafias realizadas por  Stephane Bamy