só no sapatinho

No desfile da Triton, no prédio da Bienal, no SPFW, na rua, em todo lugar, todo mundo tenta acertar o passo com a moda. Nem sempre dá…

Este é mais um vídeo exclusivo, feito pelo Chama Sabor Estúdio, para o Moda Sem Frescura.

às margens placidas do Tietê

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Quem não teve coragem de acordar cedo, numa chuvosa manhã de domingo, para assistir ao desfile da Cavalera, que aconteceu às margens do rio Tietê, pode conferir a minha aventura registrada em vídeo, no blog fiatnospfw. É só clicar AQUI!

(tem um monte de fotos no FLICKR, também!)

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E a pergunta que não quer calar é: para assistir a um desfile precisa ter coragem? Eu acho que não, basta ter curiosidade e disposição. Essas características, aliás, deveriam ser as forças motrizes de todo e qualquer jornalista. Mas a verdade é que muitos deixaram de comparecer à apresentação da Cavalera, por pura preguiça. A editora de um grande portal de moda, por exemplo, estava indignada com o fato de nenhum dos seus colaboradores ter aparecido por lá… 

Lá na foto do alto, fashionistas reunidos no ponto de encontro para pegar o ônibus até o rio Tietê. Depois, cena do desfile/protesto da Cavalera. As fotos foram feitas por mim.

império dos sonhos

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[Fotos: Cristiano/Reprodução]

Ainda me lembro claramente do impacto que o trabalho de Lino Villaventura me causou, à primeira vista. O estilista paraense, residente em Fortaleza, estava hospedado num flat, em São Paulo, para mostrar a coleção. Fui conduzida até lá pela amiga –e então editora de moda da Marie Claire– Claudia Berkhout.

Por todo o lado, no pequeno apartamento, se espalhavam roupas que me pareciam estranhas, feitas de tecidos elaborados, com cores contundentes e… escamas de peixe! Eu, uma jovem produtora de moda em início de carreira, fiquei fascinada e um pouco perdida dentro daquele mundo de referências desconhecidas.

Como sou péssima com datas, suponho que isso deva ter acontecido entre 1989 e 91. Depois disso, passei a acompanhar o trabalho de Lino com atenção e literalmente, de perto. Sim, para conhecer o universo do estilista é preciso examinar as tramas delicadas, os bordados insanos, as nervuras microscópicas. Da mesma maneira, é necessário expandir o olhar para um mundo teatral, dramático e grandiloqüente,  habitado por mulheres que são meio fadas, meio demônios.

Ou, como define, com perfeição, o jornalista Jackson Araújo (amigo e parceiro criativo do estilista em inúmeros desfiles), no volume dedicado a Lino Villaventura, na Coleção Moda Brasileira, editada pela CosacNaify:

“O seu espetáculo se alimenta de contradições: feminino e masculino, sonho e pesadelo, doçura e agressividade, vida e morte, branco total e preto absoluto, crença e agnosticismo, fome e banquete, floresta e caatinga, verdades e mentiras, orgia e solidão, materialidade e êxtase.”

Nesta edição do SPFW, o estilista comemorou 30 anos de carreira. Fez de sua passarela, palco para homenagear as mulheres fortes que sempre admirou: Ana Bolena, Elizabeth I, Eva Perón, Salomé, Medusa, Carmem Miranda, Isadora Duncan, Billy Holiday, Teda Bara, Gertrude Stein, Maria Callas. Muitas outras e, em especial, Inez Villaventura, aquela que o “impulsiona, incentiva e acompanha nesses 30 anos, com dedicação e companheirismo.”

Durante o desfile, um pensamento me ocorreu: se estas mulheres não existissem, teríamos que inventá-las! Ainda bem que a história e a imaginação deste estilista extraordinário, já se encarregaram disso.

[Fotos do slide show: Charles Naseh/site Chic]

o som das cerejeiras em flor

Uma trilha com referências ultra sofisticadas, foi o que o DJ Hisato criou para o desfile de Erika Ikezili, apresentado no último domingo, 20/01, no São Paulo Fashion Week.  Em entrevista por email, ele explica tudo:

“A introdução aponta para o tema do desfile, a chegada dos imigrantes japoneses no navio Kasato Maru. Como primeira música, Close Your Eyes, uma composição obscura do Basement Jaxx. Na verdade, é a mais recente deles, mas só disponível na trilha de um filme japonês do semestre passado. Depois tem Comin’Back, dos também britânicos Bent, com elementos orientais. As vozes japonesas femininas que se ouve na trilha, eu retirei e mixei de diálogos do longa-metragem cult japonês Dolls, de Takeshi Kitano.”

Clique na barrinha abaixo para ouvir!

[audio:trilhaErikaIkezili]

Fotos: Charles Naseh/site Chic

as coisas

Outro momento “luxo e riqueza” para nossos ouvidos, no SPFW, foi ouvir Arnaldo Antunes cantando ao vivo, no desfile Do Estilista, de Marcelo Sommer. Era um final de tarde meio chuvoso, o cenário era o próprio parque do Ibirapuera e dava vontade de ficar horas ali, ouvindo o Arnaldo cantar.

Ao chegar em casa, me lembrei do livro “Como é que chama o nome disso”, uma antologia de Arnaldo Antunes, editada pela PubliFolha, que eu adoro. Abri o volume ao acaso, e me deparei com o poema “as coisas”.

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ambient music

Nesta temporada de moda, uma das coisas que eu mais curti foram as trilhas sonoras. Muitas das minhas músicas favoritas ajudaram a criar o ambiente perfeito para “embalar” as coleções de inverno. Outras, desconhecidas, causaram tanto impacto que eu não podia deixar de descobrir a autoria. 

Então, corri atrás de vários DJS e descolei algumas para compartilhar aqui. Vamos começar com a do desfile da Uma, criada por Hisato.

[audio:TrilhaUma.mp3]

Nesta trilha, Hisato usou 2 músicas de um produtor de Viena, B.Fleismann, mixadas com poesias da artista plástica e designer Mana Bernardes. Como vcs podem ver nas fotos, parte de um poema aparece em peças da coleção, assim como alguns acessórios criados por Mana.

Fotos: Charles Naseh/site Chic

formiguinhas

 Durante o SPFW, a Bienal vira um verdadeiro formigueiro fashion repleto de gente, cores, conceitos, marcas, formas, desejos, momentos.  Veja, aqui, mais um vídeo exclusivo, com a imagens do Chama Sabor Estúdio.

celebration!

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 Temporada de moda que se preza sempre tem festas animadíssimas, para o povo se jogar e aliviar a tensão. Desta vez, A FESTA que deu o que falar foi a da Zapping, na boate Love Story. Teve de tudo: a presença luxo do CSS no som, a cobertura do blogger/festeiro The Cobra Snake, open bar, e até gente tirando a roupa!

Para ter uma idéia: eu, que sou a pessoa mais caseira do planeta, fui e me acabei de dançar até as 4 horas da manhã!

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Veja mais fotos da festa no ótimo blog Freak Style (de onde vieram estas imagens) ou no hypado thecobresnake.

inovação

Desculpem a falta de posts nos últimos dias do SPFW, mas estive super envolvida com o blog fiatnospfw, ao lado de Paulo Terron, Vitor Angelo e Letícia Zioni.

O projeto –uma iniciativa do segmento de Redes Sociais da agência Click– foi aprovado em cima da hora, pouco antes do SPFW, e eu embarquei nele sem saber muito bem o que esperar. Quer saber? Foi óóótimo! Nossa equipe se deu super bem, os posts fluiram naturalmente e o formato blog+ twitter+flickr foi uma grande sacada! Fazia muito tempo que eu não ficava tão empolgada com uma cobertura de moda.

Mas não pensem que abandonei o Moda Sem Frescura! Agora que passou o furacão fashion, vou postar muita coisa aqui: desde posts que eu publiquei no blog da Fiat (com um monte de fotos e vídeos) até análises posteriores.

A festança dos lançamentos acabou, mas a moda continua, afinal todo dia a gente tem que se vestir para sair de casa, né!

Aguardem, neste mesmo bat-canal!

do rio tietê para o museu

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Depois do desfile da Cavalera, às margens do Tietê, tive que correr para o MAM para mediar uma Conversa Transversal com curador Ricardo Resende e o pesquisador Marco Antonio Ramos Vieira. A conversa fazia parte da programação do Zigue Zague, evento que propõe a pensar a moda e suas várias conexões possíveis. 

 Foi muito interessante: Ricardo Resende falou sobre as exposições que realizou à partir da relação da moda com a arte –como a que reuniu roupas Walter Rodrigues e esculturas de Sérgio Camargo–, e Marco Antonio Ramos Viera leu um texto riquíssimo, redigido especialmente para a ocasião.

Assim que possível eu publico trechos, aqui!